20 de out de 2011

Saint Etienne

Bom... esta indicação foi do Zeca Camargo (ele faz parte da minha vida, fazer o que?). Estou sempre explorando o mundo da música como uma pessoa que precisa se alimentar para sobreviver. É algo que não consigo explicar, algo que me envolve, me preenche e até me domina.
Lendo seu post de hoje (o do Zeca, é claro), encontrei no refrão nosso de cada dia essa versão para uma música do Neil Young (Only Love Can Break Your Heart). E lá vou eu para o youtube dar uma conferida. Acho que nem preciso comentar, né? Só em estar aqui postando (divulgando também) sobre esse tema... ADOREI!!!
Fui mais além... pesquisar sobre essa banda que eu não conhecia e encontrei algo interessante (um histórico talvez) que eu resumi e resolvi colocar aqui para quem tiver a curiosidade de ler este post até o final.

# Saint Etienne é o nome de uma cidade francesa e o nome do time local. Para não haver dúvidas de que o nome da banda foi uma homenagem ao time, seu primeiro disco, Foxbase alpha" de 1991, tem início com a vinheta ”This is radio Etienne”, com narração de locutor futebolístico da terra de Étienne de La Boétie, que logo dá lugar a uma versão celestial e dançante (a Wikipedia classifica a banda como "alternative dance" de Only love can break your heart (já citada acima). Muitas pessoas a consideram como "uma das melhores coisas da vida, talvez só comparável a um doce de caju bem feito". São considerados românticos urbanos. Toda sua obra pode ser pensada como um hino de amor para essa cidade, compartilhável em outras realidades urbanas diferentes, sobretudo vistas por gente que não sente nenhuma vontade de trocar a confusão metropolitana por uma casa no campo. Em seu último álbum de estúdios, o concentual Tales of Turnpike House, lançado em 2005 e narrando a vida de condôminos de um edifício londrino, há a faixa Relocate cuja a letra é a enésima briga de um casal: a mulher que quer ar puro, porcos e galinhas; seu marido não dá o braço a torcer: “eu amo a cidade, sei que não é bonitinha, mas pelo menos tem vida”. Duas visões se mundo incompatíveis. Não preciso nem dizer de que lado a banda Saint Etienne está.
Vários de seus discos têm o costume de apresentar vinhetas entre as canções - por sua vez sempre frágeis, algo tronchas, vaporosas que quase se desmancham na primeira audição (para quem ficou curioso, London belongs to me) até revelar sua já citada perfeição – e textos de escritores nos encartes. As palavras Saint Etienne transmitem o sentimento de “um mundo onde as mulheres usam pérolas e podem cantar afinadas”, ou “um mundo onde a nostalgia é fora de propósito pois todos nós vivemos num presente glorioso”.
(É preciso acrescentar: Sarah Cracknell, cantora do Saint Etienne se veste como uma senhora chique e tem voz afinadamente anti-expressionista de elegância bem britânica).
O texto de Simon Reynolds publicado no encarte de Sound of water lança a idéia de que o “adorável” – ou simplesmente a busca do belo - pode ser a nova vanguarda, e que o experimental não precisa ser chato ou ”difícil”. Em cada canção do Saint Etienne, os mais belos lugares comuns da tradição pop convivem com um rigor eletroacústico produtor de esquisitice braba, audível só para quem se interessar por esse dark side do som. # (Por hermanovianna)

E aqui uma palhinha de Only Love Can Break Your Heart...


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