26 de set de 2011

Ecoparque de UNA

No dia seguinte, fomos conhecer o Ecoparque de UNA que é um projeto de ecoturismo, localizado em UNA, sul do estado da Bahia, cerca de 45 km ao sul da cidade de Ilhéus. Trata-se de uma parceria com o IESB (Instituto de Estudos Sócio-Ambientais do Sul da Bahia) com uma instituição americana (Conservation International). Tem como principal objetivo servir como um empreendimento demonstrativo da potencialidade do ecoturismo como uma atividade econômica alternativa, compatível e dependente da conservação dos recursos naturais do sul da Bahia. Oferece, também, aos visitantes a oportunidade de contato direto com o meio ambiente, de forma interativa e dinâmica, proporcionando uma aprendizagem agradável sobre a necessidade de conservação dos recursos naturais e culturais visitados.
 O Ecoparque vem cumprindo seu papel como centro de educação ambiental para as populações locais e visitantes. Várias instituições de ensino, públicas e privadas, utilizam o Ecoparque de UNA como local para a realização de visitas técnicas, aulas de campo (que foi o nosso caso) e atividades lúdicas com seus alunos, permitindo assim um aprendizado mais dinâmico e um contato direto com a natureza e seu funcionamento. Educar as gerações futuras parece ser o caminho mais seguro para assegurar a proteção do que restou da biodiversidade da Mata Atlântica.
O Ecoparque de UNA oferece trilhas e banho de rio. No início dessa trilha, que passa por uma planteção de seringueiras, aprendemos como se extrai o látex dessa árvore e quais são os produtos fabricados a partir dele (pneus, com 90% de borracha natural e 10% de borracha sintética; camisinha, chupeta, luvas cirúrgicas, pneus de Fórmula 1 com 100% de borracha natural; outros materiais com 10% da borracha natural e 90% da borracha sintética). 
O processo de extração do látex é diferente do utilizado na Amazônia (em forma de V). Eles dividem o tronco da árvore em quatro partes que perfazem um total de quatro anos, tornando possível a renovação da casca da primeira parte extraída. Dessa forma, aproveitam muito mais a extração do látex, não alterando o crescimento natural da planta. A trilha recebe cuidados especiais quanto ao controle de erosão, drenagem, segurança e conforto para quem participa. Durante a caminhada foi observada a diferença entre a mata virgem e a mata secundária: as árvores da mata virgem são separadas, cada uma no seu devido lugar e as árvores da mata secundária estão ainda "procurando" o seu lugar, parece um emaranhado. 
Fazer essa trilha é sentir a adrenalina a mil nas quatro pontes móveis suspensas na copa das árvores a, aproximadamente, 22m do solo, e que são protegidas por redes laterais. As sensações experimentadas ao longo da ponte foram as mais variadas, permitindo a florar emoções um tanto esquecidas por alguns colegas (entenda como quiser... rsrsrsrsrs). Dessa forma, a cachoeira pela qual passamos foi batizada de "Cachoeira do Prazer". Foi o ponto mais alto da caminhada, para Indiana Jones nenhum botar defeito. 
A manutenção dessas pontes é feita uma vez ao ano, através de cabos de aço que são lançados nas copas das árvores para substituição dos cabos defeituosos, garantindo uma maior segurança para os visitantes do parque. Esta trilha permitiu-nos conhecer uma porção bem preservada da Mata Atlântica, com árvores centenárias de espécies como maçaranduba, sapucaia, jatobá, cedro e copaíba, além de palmeiras juçara e piaçaveira. Decepção só mesmo para aqueles, como nós, que esperavam dar de cara com o mico-leão-dourado, que habita o parque. O bichinho é um tanto arisco e detesta barulho, por isso não nos deu a honra da sua presença.
Após esta maravilhosa "expedição" chegamos as final da trilha onde aconteceu um banho de rio de águas geladíssimas, compras de "souvenirs" e o começo de uma gincana ecológica, no próprio parque. Nessa etapa foi feita uma pequena integração entre os alunos da graduação e pós-graduação (meu caso) com o objetivo de aproximar experiências. Após esse período, o grupo foi dividido em quatro equipes que deveriam cumprir as cinco tarefas já determinadas pelo professor que nos acompanhava. Essas tarefas estavam relacionadas às questões referentes ao trabalho realizado nos diversos espaços visitados. Mas se houvesse alguma tarefa que necessitasse de um contato maior com a natureza, existiam participantes de diversas modalidades esportivas: triatletas (com nível olímpico), escaladores  de trilhas e xímios nadadores demosntrando sua perfeita forma física, dando direito até a um aquecimento através de banho de garrafa. Com certeza a equipe brasileira está perdendo grandes competidores.
Já quase no fim da tarde fomos almoçar na Ilha de Comandatuba, onde, novamente compramos lembrancinhas e a gincana ecológica foi finalizada.
Retornamos ao hotel quase 21:00 e, como ficou decidido em UNA por uma maioria duvidosa (hein?), retornamos para nossa cidade no mesmo dia. Passamos em Itabuna e seguimos viagem.

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