24 de nov de 2011

SPM

Você conhece esta pessoa?


Steven Patrick Morrissey

Steven Patrick Morrissey, nascido em 22 de Maio de 1959 na cidade de Davyhulme, Lancashire, Inglaterra é considerado o maior letrista dos anos 80 e um dos poucos representantes do verdadeiro espírito do rock da década. Amado por muitos, odiado por outros tantos, perseguido por suas opiniões, estigmatizado, execrado, mas antes de tudo um tremendo talento. Morrissey está para os anos 80 assim como Bowie para os anos 70 e Dylan para os anos 60.
Durante a explosão punk dos anos 70, ele tentou entrar na banda Slaughter & the Dogs (não conseguiu) e cantou por um curto período em outro grupo, os Nosebleeds. Em 1982, ele conheceu o guitarrista Johnny Marr e os dois começaram a compor juntos, em uma das parcerias mais produtivas que o pop britânico descobria em muito tempo. O single de estréia da banda dos dois, os Smithes, "Hand in glove", fez deles uma sensação no underground britânico.


Quanto mais atenção atraía, mais Morrissey mostrava saber manipular a mídia. Suas entrevistas sempre tinham opiniões bombásticas (na maior parte concebidas para chocar o público) e suas performances (com flores nos bolsos de trás e um aparelho de surdez).
O disco de estréia dos Smiths, que levava o nome da banda, de 1984, foi um sucesso arrasador e, na esteira, Morrissey começou a divulgar suas opiniões políticas
Ele pregava o vegetarianismo (o que redundou no nome do segundo disco dos Smiths, Meat is murder). "The queen is dead", de 1986, foi considerado uma obra-prima, mas Morrissey e Marr já não se entendiam. O guitarrista deixou a banda depois do lançamento de "Strangeways, here we come", e logo Morrissey acabou com os Smithes e começou uma carreira solo. 


Após o final do The Smiths, um Morrissey abalado tentou continuar a vida com os restos de sua alma atormentada e seguir cantando suas dores. E para quem achava que ele jamais faria algo, ao menos, passável, surpreendeu-se: com uma série de grandes discos e numerosos singles, Morrissey manteve-se profícuo e talentoso, provando que poderia viver sim sem Johnny Marr, fato que até ele duvidava (ou dizia duvidar).
Mesmo nesse clima difícil, Morrissey consegue parir um disco excepcional: Viva Hate. Ele  compôs os singles "Suedehead" e "Everyday is Like Sunday" com o produtor Stephen Street, conseguindo bons resultados. Suedehead” chegou ao quinto posto da parada de sucesso, fato que os Smiths jamais haviam conseguido e a canção ficou tão famosa que chegou ser a mais famosa já feita por Morrissey. “Everyday Is Like Sunday”, ficou em nono lugar e com dois sucessos tão grandes, o disco bateu direto no primeiro lugar dos mais vendidos.


Enquanto os problemas o afetavam, Morrissey continuava tentando lançar um novo disco que já tinha título: Bona Drag. Mas como o cantor não conseguia gravar um disco interior resolveu lançar um novo compacto em abril de 1990 e uma de suas melhores composições: “November Spawned a Monster.” Essa coletânea acabou com os boatos de que Morrissey nunca mais lançaria nada e atingiu o nono posto nas paradas.


Cinco meses depois de Bona Drag, aparece com um novo disco, desta vez um novo trabalho de estúdio com músicas inéditas: Kill Uncle. Esse disco marca uma fase um pouco menos conturbada em sua vida.
O LP vendeu bem, ficando na oitava colocação dos mais vendidos e rendeu dois bons singles: “Our Frank” e “Sing Your Life”, que trazia no seu lado B uma grande atração: uma versão de “That’s Entertainment”, do The Jam.



Em julho de 1992 Morrissey aparece com um novo disco, um dos pontos altos de sua carreira, apesar de não conter nenhum grande hit: Your Arsenal. Era um disco que marcava uma volta aos velhos tempos dos anos 70, num rock debochado produzido pelo lendário guitarrista Mick Ronson.
Em abril de 1993, Morrissey lança um poderoso trabalho, o disco ao vivo, Beethoven Was Deaf. Esse álbum marca, de uma certa forma, a saída do cantor da grande mídia. Se Your Arsenal foi bem nas paradas, chegando ao quarto posto, o novo disco teve uma vendagem fraca, ficando apenas em 13º lugar.
Morrissey começou o ano de 1994 com um novo disco, Vauxhall and I e o mesmo ritmo de shows dos anos anteriores. Considerado pelo próprio Morrissey como seu melhor disco até então, superando até os seus insuperáveis discos com os Smiths, o cantor mostrava grande felicidade com o rumo de sua vida.
Ele explicou:  “Esse trabalho fala da minha relação de amor com Londres. Por eu ter nascido e sido criado no norte da Inglaterra, eu tinha obrigação de odiar Londres. Mas gradualmente isso foi se alterando, conforme eu fui descobrindo a felicidade e um pequeno círculo social que eu não tinha em Manchester. Minha vida mudou de tal maneira em Londres, que me senti muito mais feliz e confortável lá. Só de pensar em fazer um vôo de volta de algum país para Londres minhas bochechas ficavam mais rosadas e meus olhos mais brilhantes… até eu ser revistado na alfândega, claro…
No ano seguinte, Morrissey lança um novo disco, talvez o mais estranho de toda sua carreira: Southpaw Grammar. Para começar, o disco só tinha oito faixas, sendo que a primeira, “The Teachers Are Afraid Of The Pupils” tinha mais de 11 minutos e a última, “Southpaw”, mais de 10 minutos. Estaria Morrissey fazendo um disco de rock progressivo? Embora o disco tenha algumas músicas difíceis isso não impediu que ele chegasse ao quarto lugar das paradas.


Morrissey afirmava que a vida na Inglaterra estava terrivelmente difícil para ele e que pela primeira vez pensava em morar em outro país. Sendo assim, ele se virou para os Estados Unidos, onde sua popularidade só crescia. Em pouco tempo ele lançaria seu último disco dos anos 90…
Com a confiança renovada, Morrissey lançou Maladjusted. Maladjusted é seu disco mais raivoso e revoltado. Embora o ódio tenha pautado seu disco, uma faixa merece um destaque: “Wide to Receive”. Morrissey conta que a fez pensando nas pessoas que se conhecem pela internet. “Sempre achei curioso ver as pessoas angustiadas em frente a um computador, esperando um e-mail que nunca chega.”


Entre 1997 e 1998, duas coletâneas foram editadas: Suedehead: The Best of Morrissey reuniu seus maiores sucessos e My Early Burglary Years é uma colcha de retalhos, embora interessante.
Enquanto não achava uma gravadora, começou a compor novas canções. Com um provisório título de “Irish Blood, English Heart”, o disco falaria dos anos de ostracismo e de suas origens. Em 2004 Morrissey lança You Are the Quarry, um clássico e um dos melhores (ou o melhor) disco do ano.  Morrissey não perdoou o estilo de vida dos norte-americanos, na primeira faixa “America Is Not The World”. A segunda é a poderosa “Irish Blood, English Heart” e a terceira a genial “I Have Forgive Jesus”, onde conta um pouco da violência que sofria quando criança. Para quem acha que entende e conhece Morrissey à fundo, ele dedicou “How Can Anybody Possibly Know How I Feel?” e aos idiotas que tanto o perseguem, “The World Is Full of Crashing Bores”. Embora, seja um disco com duas guitarras, o clima é mais lento e Morrissey impressiona pela excelente forma vocal com que executa as composições. Outra canção que merece comentários é a cômica “All The Lazy Dykes”. Esse disco, afiado como sempre, o levou de volta ao posto de lenda viva do rock, tanto na Inglaterra quanto nos EUA.


Morrissey é considerado uma das infuências mais importantes da sua geração na música pop. Os seus detratores descrevem as suas obras como depressivas, mas os seu fans destacam o seu humor mordaz e sarcástico que usa nas referências e desgostos amorosos patentes nas suas canções. 
* Discografia completa de Morrissey aqui.

De quebra, coloco aqui a música do The Smiths que sou apaixonada.

  

Um comentário:

Doutor Jr disse...

Oi Linda, sabe... “Sempre achei curioso ver as pessoas angustiadas em frente a um computador, esperando um e-mail que nunca chega.”... eu acho que entendo. Beijos, Júnior.