24 de jul de 2012

O retrato de um conto III


Nem tudo é o que parece


Sabe aqueles dias em que a gente acorda desnorteada? Pois é, aconteceu com a Letícia hoje pela manhã. Nada estava no lugar de costume: os sapatos e roupas já arrumados para vestir, a escova de dente, a maquiagem. Até a cozinha estava diferente, tudo trocado de lugar. Como ela estava atrasada, desistiu de entender. Se arrumou e saiu.
Ao chegar no trabalho, uma pilha de papéis na sua mesa a esperava para ser analisada. Mas como era possível? No final do dia anterior, Letícia deixou tudo arrumado e nada pendente. Perguntou a cada um dos colegas se algum deles colocou aqueles papéis em sua mesa e todas as respostas foram negativas. "O que está acontecendo comigo?", pensou. Ela pegou um copo com café e voltou para a mesa. Observou os colegas e percebeu que eles trabalhavam em funções diferentes do dia anterior. Resolveu dar alguns telefonemas, mas ninguém atendia.
Inconformada e intrigada com esta situação, Letícia pegou sua bolsa e saiu caminhando pelas ruas, observando tudo ao seu redor. Notou as diferenças: os prédios, as lojas, os restaurantes, nada estava como antes, pessoas que ela conhecia já não estavam mais ali. 
Cansada de caminhar, sentou em um banco, numa praça. As crianças brincavam, jovens passeavam de mãos dadas, pessoas apressadas olhavam o relógio e "corriam". O tempo foi passando e a noite começou a surgir. O brilho da lua apontava atrás dos prédios. E Letícia deixou-se seduzir pelo sono que a invadia. Deitou no banco e adormeceu.
De susto, levantou rapidamente. Mal conseguia abrir os olhos, o sol já estava alto. Acordou no jardim de casa.

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