26 de jul de 2012

Mais que indicado

Esses dias eu estava tão absorta com um livro (imagem abaixo), que não resisti e resolvi compartilhá-lo com vocês. Mas, para início de conversa, divagarei rapidamente sobre o personagem o qual o autor se refere ao longo desta leitura estimulante e inteligente.
Falemos um pouco sobre Proust, Marcel Proust.
Proust (1871-1922) foi um escritor francês, conhecido pela sua obra "Em busca do tempo perdido" (romance escrito em sete volumes - No caminho de Swann, À sombra das raparigas em flor, O caminho de Guermantes, Sodoma e Gomorra, A prisioneira, A fugitiva, O tempo redescoberto). Filho de um professor de medicina, Proust nasceu em uma família rica, o que lhe permitiu frequentar os salões da alta sociedade da época, fornecendo-lhe material abundante para escrever seu romance. Além da sua obra, publicou várias traduções e escreveu diversos artigos. Porém, só teve reconhecimento literário após sua morte. Por ter uma saúde frágil, passou a viver recluso e a esgotar-se no trabalho. 


"Com extrema sensibilidade, senso de humor e erudição, o escritor Alain de Botton revela a fonte inesgotável de sábios conselhos para a vida cotidiana que se encerra na biografia, na correspondência e na obra de Marcel Proust. Das relações de amizade ao amor, da expressão dos sentimentos até a importância de se desfrutar o tempo e se deixar os livros de lado, Alain de Botton identifica na vida e obra do autor francês observações sobre a convivência humana, em que desponta o retrato vibrante de um escritor excêntrico, mas adorável, e um poderoso testemunho sobre o poder transformador da literatura."
Botton usa exatamente da dor aguda de Proust para retirar grandes lições de vida a partir de situações do cotidiano, e com elas mostrar o outro lado, o de aprender a lidar com o inconveniente e descobrir como desfrutar o tempo de uma forma pessoal, inteligente e prazerosa.
Em seguida, transcrevo algumas falas, tanto de Botton quanto de Proust, para ilustrar este post.

"... se o devido reconhecimento da mortalidade nos estimula a reavaliar nossas prioridades, podemos nos perguntar quais elas devem ser." (Botton)

"... à medida que envelhecemos, matamos todos aqueles que nos amam por meio dos cuidados que lhes dispensamos, da ternura ansiosa que constantemente lhes inspiramos e suscitamos." (Botton)

"... só aprendemos realmente alguma coisa quando há um problema, quando sofremos, quando algo não sai como o esperado. (...) Sofremos, portanto, pensamos, e o fazemos porque o pensamento nos ajuda a contextualizar a dor, a entender sua origem, a medir suas dimensões e a nos reconciliar com sua presença." (Botton)

"A felicidade é salutar para o corpo, mas só a dor enrijece o espírito." (Proust)

"... a amizade ainda poderia ser defendida por nos proporcionar uma chance de comunicar nossos pensamentos mais íntimos e sinceros às pessoas e, ao menos uma vez, revelar exatamente o que está na nossa mente." (Botton)

"Um livro é o produto de um outro eu que não é o que mostramos em nossos hábitos, na sociedade, em nossos vícios." (Proust)

"Na leitura, a amizade é repentinamente levada de volta à sua pureza original. Não há amabilidade falsa com livros. Se passamos a noite com esses amigos é porque realmente queremos." (Proust)

"Embora a opinião dominante seja a de que devemos invariavelmente discutir nossas mágoas com quem as causou, os resultados tipicamente insatisfatórios desse procedimento talvez nos incentivem a reconsiderar tal ideia." (Botton)

"... os limites da eternidade não residem especificamente no amor. Residem na dificuldade geral de manter um relacionamento apreciativo com qualquer coisa ou pessoa que sempre esteve à nossa volta." (Botton)

"Devemos ler livros escritos por outras pessoas a fim de conhecer o que nós sentimos; são nossos próprios pensamentos que deveríamos desenvolver mesmo que seja com a ajuda do pensamento de um outro escritor." (Botton)

"Transformar [a leitura] em disciplina é atribuir um papel grande demais ao que é apenas m incentivo. Ler está no limiar  da vida espiritual e pode apresentá-la a nós, mas não a constitui." (Proust)

E Botton termina o livro com a seguinte frase: "Até mesmo os melhores livros merecem ser abandonados."

Só me resta ir "Em busca do tempo perdido" para me deleitar e conhecer mais um pouquinho sobre Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust.

Leitura indicada por Rafael Rodrigues (@entretantos). 

Um comentário:

Camila Rosa disse...

MINHA CARA ESSE--->"... só aprendemos realmente alguma coisa quando há um problema, quando sofremos, quando algo não sai como o esperado. (...) Sofremos, portanto, pensamos, e o fazemos porque o pensamento nos ajuda a contextualizar a dor, a entender sua origem, a medir suas dimensões e a nos reconciliar com sua presença." (Botton)