6 de out de 2012

O retrato de um conto VI

Renovando-me 


Eu nem me despedi de você, nem tive tempo para isso pois você já estava seguindo seu caminho mesmo sem me avisar que estava disposto a viver uma nova experiência. A sua imagem na janela refletiu um ar despreocupado, feliz, como se nada o abalasse naquele momento. Eu o observei ao longe por alguns segundos, que pareciam eternos, mas que foi tempo suficiente para visualizar o filme da nossa vida.
De nada adiantava ficar te olhando, mesmo que discretamente, e tentando entender o que aconteceu. Saí caminhando devagar, mergulhada em pensamentos diversos, que iam desde momentos passados até um ensaio da minha vida futura. Redireciono meus pensamentos. Não tenho que ficar lamentando o que ficou para trás, nem ficar maginando o que está por vir. Apenas vou seguindo.
E, à medida que caminho sem destino, sem me preocupar com o tempo e sem autopunição, as nuvens que pairavam sobre mim vão se dissipando. Percebo, enfim, que o mundo não acabou, que tudo na vida tem algum sentido. Não sou insensível: sofro, choro, grito, me descabelo. São atitudes essenciais para meu amadurecimento, percepção de vida e construção da minha identidade.
O sol começa a dar seu ar da graça, os primeiros raios vão surgindo na minha frente, aquecendo minh'alma que estava fria, adormecida e triste. Um leve sorriso brota em mim. Deito no jardim de uma praça. O orvalho ainda está lá, fazendo-me renovar a energia gasta na longa noite andante. Observo as nuvens formarem figuras diversas, uma distração interessante para ocupar uma mente cansada. 
A brisa da manhã chega de mansinho, afagando meu rosto, me mostrando que o tempo passa e eu preciso ir.

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